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NOTA PÚBLICA DE REPÚDIO

CARTA ABERTA: O COMPROMISSO DA ABBP COM A ÉTICA, A LEGALIDADE E A TRANSMISSÃO DA PSICANÁLISE

 

Aos analistas, às instituições de ensino e à sociedade civil:

 

A Associação Brasileira de Bacharéis em Psicanálise (ABBP) vem a público manifestar seu posicionamento institucional e reafirmar os pilares que sustentam nossa missão. Diante do cenário contemporâneo de expansão do ensino da psicanálise e das resistências, apresentamos este documento como um Norte Ético para a nossa práxis.

1. O Sintoma da Resistência e o Fim do Monopólio

Reconhecemos as críticas movidas por instituições tradicionais como um fenômeno clínico de resistência. A "indignação" contra a graduação acadêmica é lida por nós como um sintoma: uma defesa de mercado que tenta monopolizar o saber. Compartilhamos da preocupação com o rigor, mas divergimos quanto ao diagnóstico. Reafirmamos, com o vigor do próprio Freud, que a psicanálise é leiga. Nenhuma instituição detém o monopólio da verdade analítica ou o título de sua "guardiã exclusiva".

 

Entendemos que a psicanálise "de fato" não é definida pelo local onde o saber é transmitido (se em institutos fechados ou em salas de universidade), mas pela ética do desejo que orienta a prática do analista. A universidade não "engessa" o inconsciente; ela oferece o solo histórico e científico para que a prática não se torne mística ou dogmática.

2. A Formação Acadêmica como Solo Teórico

É necessário desfazer o equívoco de que o Bacharelado substitui a formação analítica. Ele oferece o rigor epistemológico necessário para que o analista compreenda as bases históricas e conceituais de sua prática. Para a ABBP, o Bacharelado é o reconhecimento de uma competência teórica inicial. No entanto, o exercício da clínica só é legítimo quando atravessado pelo compromisso inegociável com o Tripé Fundamental – Nosso compromisso é com a ética do desejo que orienta a prática. A universidade oferece o solo; a clínica oferece a vida.

3. O Tripé como Cláusula Pétrea e Construção Intransferível

  • Análise Pessoal: A garantia de que o analista não confunda sua dor com a do paciente. Sem ela, há apenas um teórico, não um analista.

  • Supervisão Clínica: Onde a técnica e a escuta são postas à prova por pares experientes, evitando o mau manejo do método.

  • Estudo Teórico Permanente: O compromisso de uma vida com a atualização do saber. A psicanálise não se submete exclusivamente a critérios burocráticos; é uma construção pessoal e intransferível.

 

Concordamos que a psicanálise não se submete exclusivamente a critérios burocráticos. Ela é uma construção pessoal e intransferível. Por isso, a ABBP zela para que o Bacharelado seja apenas a face inicial de um prisma sustentado pelo Tripé Psicanalítico.

4. O Mito da "Profissão Rentável" e a Psicanálise de Elite.

É irônico que o questionamento sobre o egresso do bacharelado buscar uma "profissão rentável" venha de setores que transformaram a psicanálise em uma prática de elite, com valores inacessíveis e restritos às burguesias.

 Perguntamos: O que é ser rentável? Manter o saber fechado em consultórios de luxo sob pretexto de "pureza", ou democratizar o acesso ao cuidado mantendo o rigor ético? A ABBP busca a legitimação (e não a regulamentação estatal) para que o analista atue com dignidade, segurança jurídica e responsabilidade social.

Conclusão A missão da ABBP é proteger a psicanálise de dois extremos: o charlatanismo desregulamentado e o dogmatismo das castas. Nosso norte é a ética. Nossa ferramenta é o saber. Nosso compromisso é com o sujeito que sofre.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE BACHARÉIS EM PSICANÁLISE (ABBP) Pela ética do Tripé, pelo rigor acadêmico e pela liberdade e legalidade da transmissão e da prática analítica.

 

Brasil, 09 de fevereiro de 2026.

 

Associação Brasileira de Bacharéis em Psicanálise

Diretoria Executiva

©2026 por Associação Brasileira de Bacharéis em Psicanálise - ABBP
CNPJ 64210772000130

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