
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE BACHARÉIS EM ESTUDOS TEÓRICOS PSICANALÍTICOS E SOCIAIS – ABBETPS

"O cartel subverte a lógica passiva das hierarquias acadêmicas para instituir um laboratório de produção viva. Enquanto o seminário se ancora na transmissão vertical, o cartel opera na horizontalidade: é um dispositivo de 'trabalho de base' onde o saber não é consumido, mas provocado. Nele, quatro se reúnem — sob o laço de um 'Mais-Um' — para transformar seus enigmas singulares e impasses clínicos em escrita e avanço teórico."
Lázaro Tavares
Em 1964, no Ato da Fundação da Escola freudiana de Paris, Lacan propõe um novo dispositivo cuja finalidade seria promover avanços na transmissão da Psicanálise. Anunciou, então, o dispositivo de cartel, com as seguintes palavras:
“Aqueles que vierem a esta Escola se comprometerão a realizar uma tarefa submetida a um controle interno e externo: os que assim se comprometerem podem estar seguros de que nada se economizará para que tudo o que façam de valor tenha a difusão merecida no local mais conveniente. Para a execução desse trabalho adotaremos o princípio de uma elaboração sustentada dentro de um pequeno grupo: cada um deles se comporá de pelo menos três pessoas e de no máximo cinco, sendo quatro o tamanho ideal. Mais-um, encarregado da seleção, da discussão e da saída a dar ao trabalho de cada um”. (J. Lacan).
O cartel é uma sistemática de trabalho psicanalítico entre analistas inventado por Jacques Lacan no que se refere ao ensino, pesquisa, cientificidade e transmissão da psicanálise.
O cartel é regido por uma lógica diferente de todo e qualquer grupo de estudo, seja ele grande ou pequeno. É um dispositivo de trabalho com o saber inconsciente - Quatro é o número ideal, que se completa ou se forma em torno de um +1. Essa é a inovação lacaniana do cartel: no momento dessa escolha, o Mais-Um, ao ser designado para ocupar esse lugar, tem a função de não ocupar a posição esperada do líder, nem a do Sujeito suposto Saber, tampouco a do analista. O Mais-Um é um membro do cartel que deve trabalhar, produzir e se responsabilizar por pontuar e sustentar a inconsistência do Outro. O +1 seria a dobradiça que convoca ao trabalho. Sua função é esvaziar a idealização de um saber acabado. O +1 é o elemento exterior, ele ex-siste. Ele está no lugar de agente da destituição do saber. Um que falta.
No Seminário R.S.I. (lição de 15 de abril de 1975), Lacan indaga sobre o que constitui o cartel e faz algumas reformulações: “Um cartel, para que?” Ele prossegue: o cartel parte de três mais uma pessoa, em princípio faz quatro, e que dei como máximo cinco, ao que faz seis. Como no nó borromeano, há três. “O que quero dizer é que se vocês forem três, isso já faz quatro”, “…donde minha expressão mais-uma”. Retirando-se uma, o grupo se desata. Não sem propósito, a concepção de cartel é essencialmente topológica.
Nessa ocasião, ele acrescenta que é necessário pelo menos três nós triviais para se constituir o nó borromeano, e quando enlaçados, o que se deixa ver é nada mais que buracos em turbilhão. “Se não há buraco, não vejo muito bem o que temos que fazer como analistas”.
O que se transmite é um produto não acabado, resto, sobra de trabalho do próprio desejo, fruto da elaboração de cada ume, o que dá vida ao cartel para instituir-se como tal. Havemos de lidar com esses buracos, cada ume ao seu estilo. A transmissão é de uma falta.
O tempo estimado de duração de um cartel é de até dois anos, em seguida, deve ser dissolvido. Hoje reconhece-se três categorias de Cartéis: temos os cartéis fulgurantes, que são criados com um tempo menor do que o proposto por Lacan, são formados em torno de temas e atividades do Campo Freudiano como congressos, encontros, conversações, jornadas etc. Temos os cartéis gerais que não podem passar de dois anos, e temos o Cartel de Transmissão/Formação/Passe. Todos dentro do ato de subversão proposto por Lacan.
Um Cartel é "extinto" quando algum membro deixa o Cartél, principalmente se o "Quatro" foi "quebrado". Um Cartel é dissolvido quando concluí suas atividades e o + 1 entrega a produção do Cartel para a Escola.
A visão do Lacan é que se um dos membros sai, o cartel, tal como foi constituído, se dissolve, pois a troca de alguém altera o "enodamento" (o laço) dos participantes. Em resumo, quando membros saem, o cartel cumpriu seu ciclo de produção, desfazendo-se para que a "transferência de trabalho" não se torne uma "transferência de pessoa" ou um laço burocrático.
Todos os cartéis podem ser declarados no site para que possamos tanto saber os temas que estão sendo estudados, como também utilizá-los para agregar nossa própria investigação.
É esperado de cada participante do cartel um produto final, individual, que poderá ser endereçado à Escola.
Informações importantes:
O cartel pode ser composto por psicanalistas, pessoas que estejam fazendo a formação em psicanálise, analisantes e interessados nessa práxis. O objetivo é promover leituras e discussões que colaborem no aprofundamento conceitual e clínico da psicanálise e sua relação com outros saberes, além de ser um dispositivo de apoio para a pesquisa individual em suas articulações com ês cartelizantes e a comunidade. Você não precisa ser estudante da ABBP para participar de um cartel ou propor algum tema. Na ABBP o cartel funciona como uma porta giratória, que coloca em jogo os interesses de pesquisa para além dessa instituição.
As inscrições para formação de cartel podem ser realizadas a qualquer momento junto a ABBP, aberto a receber novas propostas de trabalho.
A secretaria de cartéis organizará o acolhimento dos interessados conforme os temas.
Será de responsabilidade dos membros do cartel a organização do trabalho quanto à periodicidade, a forma (virtual e/ou presencial) e a plataforma/local dos encontros.
Ao final de um ano os cartéis poderão ser dissolvidos ou estendidos por mais um ano.
Na dissolução, um produto individual que se decantou dessa experiência deverá ser compartilhado entre os cartelizantes e endereçado, a posteriori, para a Escola formadora e comunidade da ABBP.
Pontos Chave para a Formalização (O que não pode faltar):
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A "Justa Medida" (4+1): É composto por 3 a 5 pessoas, mas 4 + 1 é o modelo clássico, onde "1" é o Mais-Um.
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O Mais-Um (+1): Não é um professor ou líder, mas alguém que providencia a rotatividade e garante que o cartel não se torne um grupo de estudos comum (homogêneo).
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O Tema e a Questão Individual: Não basta o grupo estudar o mesmo tema. Cada membro deve ter seu próprio recorte de pesquisa (questão).
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O Produto (Cartelizante-produto): O cartel tem duração limitada e visa a produção de um texto ou trabalho individual de cada membro ao final.
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nscrição na Escola: A ata deve ser entregue à Comissão de Cartéis ou diretoria da escola para que o cartel seja reconhecido oficialmente.
Quero propor um cartel!
Clique no link abaixo e preencha o formulário
para enviar proposta de cartel à comissão.
Link de Inscrição - Clique e inscreva-se: https://forms.gle/3c3ELB7MyeVhFpUq7
Maio 2026 - Junho 2026
Julho 2026 - Agosto 2026
Setembro 2026 - Outubro 2026
NOVEMBRO 2026
O GRANDE EVENTO
Início das Atividades Cartelizantes.
Período das leituras
Todas as instruções serão dadas.
Fase da formatação das subtemáticas e primeiros ensaios textuais.
Período das escritas
Todas as instruções serão dadas.
Fase da formatação das subtemáticas em textos
Período das discussões e troca de ideias (explosão de ideias) entre os Cartelizantes.
Textos finalizados e entregues à Escola.
Todas as instruções serão dadas.
O GRANDE EVENTO - Culminando com o Evento do ano da ABBP com o ENCONTRO DE CARTÉIS E A 1ª JORNADA DE PSICANÁLISE DA ABBP.
LOCAL: A ser definido
FORMATO; Presencial

Encontro
de Orientações
dos Cartéis

Comissão de Coordenação dos Cartéis:
(Em fase de constituição - 7 integrantes)
Adelcio Machado
Eliane Estevam
Elizaneth Benevides
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Relação dos Cartéis
em andamento




Os Cartéis e sua composição:
📍 Cartel 1: Psicopatologias do Cotidiano
* Alexandra Moreira
* Lilian de Almeida
* Noélia Gomes (+ 1)
* Oseias Paulino de Souza Junior
* Walquíria Marillac
📍 Cartel 2: Libido e Desenvolvimento
* Bianca Bertolo
* Joeslayne Ibraim de Almeida
* Oseias Paulino de Souza Junior
* Maria Helena Chiappetta (+1)
📍 Cartel 3: Sexualidade e Vulnerabilidade Social
* Edna Rivera
* Cristiane Regina
* Maria Helena Chiappetta
* Renan
* Eliane Estevam
Definir o +1
Cartéis a serem abertos:
1. O INCONSCIENTE FREUDIANO
2. CONSTITUIÇÃO DO SUJEITO
3. FEMINICÍDIO COMO O LIMITE DA PALAVRA.
4. PSICANÁLISE E FEMINISMO
5. CLÍNICA DOS EXCESSOS
6. COMPULSÃO ALIMENTAR
7. MEDICALIZAÇÃO E PATOLOGIZAÇÃO DA (OU NA) INFÂNCIA.
8. “QUEM CONTA UM CONTO AUMENTA UM PONTO”. ANÁLISE PSICANALÍTICA DE CONTOS: A ESCUTA DA LITERATURA E A CRIAÇÃO DE NOVOS SENTIDOS.
9. INOMINÁVEL MAL-ESTAR.
10. DO QUE SE FALA QUANDO FALAMOS EM PSICOSE NA INFÂNCIA?
11. SINTOMA NA CLÍNICA: NOVOS SINTOMAS, NOVOS PSICANALISTAS.
